44 anos de diversidade – Jornal São Paulo Zona Sul


Nas décadas de 1960 e 1970, a região centro sul da capital paulista encarou as obras do metrô, que naquela época eram feitas “a céu aberto”, ou seja, com grandes valas para que fossem construídos os caminhos subterrâneos. Ao lado da Avenida 23 de Maio, as obras ocuparam um imenso terreno que, ao final da construção, foi doado à Prefeitura. E foi assim que surgiu o projeto de um dos bens mais queridos dos paulistanos e daqueles que resolveram adotar a cidade para viver. E também dos turistas, claro: o Centro Cultural São Paulo, na divisa entre Paraíso e Liberdade, ao lado da estação Vergueiro.

Mas quase que a cidade ficou sem esse equipamento que hoje é tão querido. Em 1973, a ideia era erguer ali um complexo de escritórios, hotéis, um shopping center e uma grande biblioteca pública. Mas, o projeto foi cancelado dois anos depois e restou apenas a proposta de uma biblioteca moderna em que o leitor tivesse livre acesso ao material, de forma que o objetivo não seria mais guardar a informação e sim escancará-la para o público.

As obras começaram em 1978, mas a Prefeitura decidiu construir um centro cultural multidisciplinar nos moldes dos que estavam surgindo no mundo todo como o Georges Pompidou fundado em 1977 na cidade de Paris (França). O espaço era muito grande e bem localizado, então foi decidido que ali haveria também cinema, teatro, espaço para recitais e concertos, ateliês e áreas de exposições.

A inauguração aconteceu no dia 13 de maio de 1982, ano em que a capital tinha cerca de 8,5 milhões de habitantes e com o desafio de atrair pessoas de todos os cantos para agregar essa população heterogênea, fornecendo um espaço em que todos tivessem acesso aos mais variados gêneros culturais.

O então secretário Municipal de Cultura, Mario Chamie, foi um dos principais defensores desse caráter multicultural do espaço. No discurso de inauguração destacou que era necessário abrigar em um só espaço cultura popular e erudita, e todo tipo de manifestação cultural de grupos ou comunidades as mais diversas, para refletir “toda essa igualdade cultural brasileira que é feita justamente das diferenças”.

Aniversário

Agora, ao celebrar seus 44 anos, o Centro Cultural São Paulo confirma que mantém essa vibração paulistana múltipla, não só pela diversidade de linguagens artísticas mas também por atender a diferentes gerações, diferentes estilos, diferentes gostos, diferentes classes sociais.

A programação tem desde exibições de filmes ao ar livre, em seu jardim suspenso, até exposições, espetáculos de teatro e dança, palhaçaria e oficinas para crianças, debates, shows, consertos, entre tantas outras opções. É também impossível falar do Centro Cultural sem citar sua biblioteca e sua discoteca, os espaços comuns onde sempre se encontram pessoas de todas as idades para estudar, ler, desenvolver projetos coletivos…

Atualmente, o Centro Cultural conta até com projetos que ajudam em sua existência, como a venda de souvenirs ou lojinha colaborativa, além de uma associação de amigos do espaço.

Outra prova de que o CCSP se mantém relevante é o fato de dispor de um estúdio para gravação de podcasts, que pode ser reservado para gravação de entrevistas, debates e outros programas de áudio, desde que não tenham fins comerciais e publicidade.

Virada

Claro que, todos os anos, o CCSP é um dos endereços mais interessantes da cidade para que gosta de curtir a Virada Cultural. Nesse ano, a programação é bem vasta.

Mas, uma boa dica para quem quer aproveitar o evento e o espaço é ir na madrugada do dia 24, às 02h30, quando acontece o Baile AntenaZero: uma festa que atravessa décadas, gêneros e continentes sem pedir licença. Na pista: André Abujamra, em uma viagem eclética com seus mash-ups que vão da vanguarda paulista à música africana; Jonnatha Doll, trazendo o punk e o pós-punk em sua forma mais visceral; Dri Arakake, mergulhando no jazz, soul e groove internacional mais sofisticado; e Wilson Farina, conectando o melhor do rock britânico ao soul clássico. Tudo grátis, claro.

O Centro Cultural São Paulo fica na Rua Vergueiro, 1000, ao lado da estação de mesmo nome.



Fonte: Jornal Zona Sul

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