Coleta de resíduos conta com combustíveis alternativos – Jornal São Paulo Zona Sul


Em agosto, aconteceu mais uma edição do Fórum do Biogás, evento novamente realizado em São Paulo. Promovido pela Associação do Biogás e do Biometano (ABiogás), é um dos principais eventos do setor na América Latina e reúne empresas, especialistas, autoridades e representantes do setor público e privado. O Fórum contou com a participação do prefeito Ricardo Nunes e de Ervino Nitz Filho, presidente da Ecourbis Ambiental, concessionária responsável pela coleta e destinação final de resíduos nas zonas sul e leste da capital.

O foco dessa 13a edição foi discutir o desenvolvimento do biogás e do biometano, seus desafios, oportunidades e aplicações como fontes de energia mais sustentáveis.

A Ecourbis participou com a exposição de um caminhão de coleta movido a biometano/GNV, combustível que pode ser gerado no próprio aterro sanitário. Um exemplo de circularidade, mostrando que os resíduos podem ser transformados e têm grande importância na economia circular.

“O caminhão deposita o lixo no aterro, tem um sistema de drenos que faz a captação do biogás, então encaminhado para um equipamento que o transforma em biometano“, explicou o prefeito Ricardo Nunes durante o evento. Ele ainda destacou que o biometano abastece ônibus do transporte público na capital. “Cada ônibus a biogás evita a emissão de 87 toneladas de gás carbônico na atmosfera por ano. Cada ônibus a biogás equivale a 6.400 árvores plantadas”, disse o prefeito.

De acordo com levantamentos de institutos ambientais como o Green House Gas Protocol (GHG Protocol), Environmental Protection Agency (EPA) e o PlanFrota – Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), de janeiro a junho de 2026, a Prefeitura de São Paulo deixou de emitir 1.843 toneladas de CO₂ com a frota de coleta movida a energia limpa. Esse resultado equivale à capacidade de captura de carbono de mais de 31 mil árvores adultas.

O biometano e a sustentabilidade

De acordo com o recém publicado Relatório de Sustentabilidade 2025 da Ecourbis, a renovação da frota é um dos destaques do trabalho da concessionária.

O documento apresenta os principais avanços da companhia em temas como gestão de resíduos, economia circular, descarbonização, governança, impacto social e relacionamento com comunidades.

Mais do que resultados, o relatório reflete o compromisso contínuo da Ecourbis com a transparência, a inovação e a construção de uma cidade mais sustentável.

O relatório aponta que o CTL Landfill Gas Project, registrado desde 2013 na United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC) e certificado pelo Gold Standard, converte o metano oriundo da decomposição dos resíduos em energia e biocombustível, além de possibilitar a queima controlada dos excedentes.

A canalização e o tratamento do biogás são processos que evitam a liberação direta de metano na atmosfera, um gás com elevado potencial de aquecimento global.

O biogás pode ser aproveitado energeticamente, usado na geração de energia elétrica, utilizado para a produção de biometano ou queimado de forma controlada.

Essa estrutura permite a incorporação do biometano à matriz energética da Ecourbis, inclusive como combustível alternativo para a frota de coleta, fortalecendo a estratégia de descarbonização e a integração entre gestão de resíduos e energia renovável.

Frota atende diversos serviços

O relatório de Sustentabilidade 2025 da Ecourbis ainda apontou que a frota era composta por 594 veículos e equipamentos distribuídos entre atividades de coleta, transporte, apoio logístico, manutenção e funções administrativas, além de operações relacionadas ao aterro sanitário. A diversidade dos serviços evidencia a complexidade da gestão de resíduos urbanos e exige soluções específicas em cada etapa da operação.

Os caminhões compactadores, que somavam 292 unidades, correspondem ao principal ativo da operação de coleta e apresentam uma composição energética diversificada. A frota que opera com biometano ou Gás Natural Veicular (GNV) já ultrapassa 40% do total. São veículos empregados na coleta domiciliar, na coleta seletiva e na coleta de resíduos de serviços de saúde.

Destaque ainda para a inserção de veículos elétricos na frota. Eles são usados na coleta de Resíduos dos Serviços de Saúde (RSS) e como apoio à prestação do serviço em comunidades carentes.

O avanço gradual da transição energética da frota é uma iniciativa alinhada às de descarbonização e modernização tecnológica implementadas pela empresa.

Com base em fatores médios de emissão veicular e em referências institucionais do setor público, a substituição de caminhões compactadores a diesel por veículos movidos a biometano/GNV pode resultar em reduções estimadas de emissões de dióxido de carbono (CO2) superiores a 2.000 toneladas por ano em operações de coleta urbana, além do ganho ambiental resultante da diminuição significativa na utilização de combustíveis fósseis, como o óleo diesel, que produzem um volume maior de Gases de Efeito Estufa (GEE).

Alinhamento ao PlanClima SP

O avanço na modernização da frota de coleta segue as diretrizes da concessão dos serviços de coleta na capital paulista, e as políticas públicas municipais para a melhoria da qualidade ambiental urbana. Essa trajetória contribui para a avaliação técnica de alternativas veiculares com menor intensidade de carbono, considerando desempenho operacional, segurança e aderência à rotina da coleta na cidade.

A iniciativa está alinhada às diretrizes do Plano de Ação Climática do Município de São Paulo (PlanClima SP).

Instrumento estratégico da Prefeitura de São Paulo, o PlanClima foi criado para enfrentar as mudanças climáticas. Entre os objetivos principais, estão a neutralidade de emissões, eliminando emissões líquidas de gases de efeito estufa até o ano de 2050. Paralelamente, propõe a diminuição significativa da dependência de combustíveis fósseis, a criação de uma infraestrutura da cidade mais resiliente aos impactos de eventos climáticos extremos e garantir atenção a regiões de maior vulnerabilidade social.

A modernização da frota e uso de fontes alternativas de energia, portanto, conecta-se diretamente com os pilares da agenda ESG (de aspectos ambientais, sociais e de governança – ESG, na sigla em inglês) da Ecourbis.

Essas inovações contribuem para a redução de emissões (Ambiental), melhoria nas condições de trabalho e na segurança operacional (Social) e apoiar decisões baseadas em testes técnicos e critérios de eficiência (Governança).



Fonte: Jornal Zona Sul

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