O número de atendimentos a usuários de tabaco ofertados pela Prefeitura de São Paulo aumentou 257% na rede municipal da saúde da capital, passando de 4.262, em 2021, para 15.220 em 2025. Só no primeiro semestre de 2026, foram contabilizados 11.206 atendimentos, atingindo 57.560 atendimentos no período de cinco anos, de acordo com dados da Coordenação de Epidemiologia e Informação (CEInfo) da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado neste sábado (29), foi criado há exatos 40 anos, pela Lei Federal nº 7.488, com o objetivo de conscientizar a população sobre os danos causados pelo tabaco.
Epidemia
“O tabagismo é considerado uma das principais causas de morte evitáveis no planeta e está associado a mais de 90% dos casos de câncer de pulmão e a diversas outras doenças, como infarto, bronquite e enfisema pulmonar”, lembra Liamar de Abreu Ferreira, coordenadora do Programa Cessação de Tabagismo na SMS, que segue as diretrizes do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), do Sistema Único de Saúde (SUS).
A Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica o tabagismo como epidemia e uma das principais causas de morte, doença e empobrecimento do mundo, sendo responsável pela morte de mais de 8 milhões de pessoas por ano. Destas, 1,2 milhão de mortes são resultado de não fumantes expostos ao fumo passivo. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, o tabagismo afeta cerca de 11,6% da população adulta. Os números recuaram, mas voltaram a crescer devido ao uso de cigarros eletrônicos. Na cidade de São Paulo, de acordo com o Inquérito de Saúde da Capital (ISA) 2024, o índice de pessoas fumantes com idade de 10 anos ou mais chega a 14,2%.
Grupos de apoio
Em São Paulo, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são, prioritariamente, a porta de entrada para auxiliar pessoas que desejam abandonar o cigarro. O tratamento abrange avaliação clínica, reuniões em grupo com abordagem cognitivo-comportamental e uso de medicamentos, se necessário, como adesivos de nicotina, gomas de mascar, pastilhas e cloridrato de bupropiona para reduzir os sintomas de abstinência. A duração do Programa de Cessação de Tabagismo é de três meses, com possibilidade de acompanhamento por um ano ou mais, considerando possíveis recaídas.
As sessões são coordenadas por profissionais de saúde de nível superior e conduzidas por uma equipe multiprofissional, que pode ser composta por médico, enfermeiro, psicólogo, farmacêutico, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional ou dentista. Os equipamentos municipais também oferecem práticas integrativas e complementares em saúde (Pics), como meditação, acupuntura e auriculoterapia com o objetivo de reduzir a ansiedade e a compulsão.
Vale destacar que o tratamento é espontâneo, ou seja, depende da vontade do paciente, é destinado a todas as faixas etárias e independe da quantidade de cigarros fumados ao dia e do tipo de fumo, seja convencional, mascado, eletrônico, vape ou pod (versão simplificada do vape).
“Durante as reuniões, o profissional de saúde orienta e ensina técnicas para lidar com a abstinência, os gatilhos e a dependência física e psicológica. Além disso, os pacientes compartilham suas experiências, o que ajuda os demais integrantes do grupo”, explica Liamar.
Para se informar sobre o grupo de tratamento para parar de fumar, procure a sua UBS de referência com RG e cartão do Sistema Único de Saúde (SUS).
Clique aqui para acessar a plataforma Busca Saúde, com a localização de todos os serviços de saúde da capital. http://buscasaude.prefeitura.sp.gov.br/
Fonte: Jornal Zona Sul


