Inspirada pelo Dia Mundial do Meio Ambiente – 5 de Junho – a Prefeitura de São Paulo celebra durante todo o mês o “Junho Verde”, com debates, atividades e programações diversas para conscientizar a população sobre a importância de preservação ambiental. Mais do que isso, como agir em um meio urbano complexo como a capital paulista para torná-la cada vez mais sustentável e apontar as ações primordiais para que ações cotidianas transformem seu futuro.
Um dos principais focos desse debate está relacionado à destinação dos resíduos sólidos. As concessionárias responsáveis pela coleta na cidade têm novas obrigações contratuais, que devem cumprir nos próximos 20 anos. Os contratos trazem uma série de determinações e investimentos que irão promover avanços importantes no sistema de limpeza urbana, geração de energia, economia circular e destinação final de resíduos sólidos.
Em diversos eventos recentes, a opinião corrente entre representantes da Prefeitura e das concessionárias, ao lado de especialistas, é a de que São Paulo vai se transformar em uma referência mundial no tratamento de resíduos sólidos. Algumas dessas inovações, aliás, já são realidade e outras estão em fase de implantação.
1. Renovação da frota
Os veículos responsáveis pela coleta na cidade seguem tendências mundiais de uso de energia limpa e renovável.
Em comunidades, por exemplo, são usados quadriciclos elétricos – pelo formato e tamanho adequados à circulação em vias estreitas. Funcionam como apoio aos coletores que percorrem os becos e vielas de comunidade carentes, recolhendo os sacos de lixo disponibilizados pelos moradores. Por serem movidos a energia limpa, esses veículos não consumem combustíveis fósseis e nem emitem gases poluentes.
Também está em andamento a renovação da frota de todos os veículos utilizados pela concessionária, que estão sendo substituídos por modelos sustentáveis. Os caminhões de coleta comum e seletiva, além daqueles que recolhem Resíduos de Saúde (RSS), passam a ser movidos por Gás Natural Veicular (GNV), biometano (combustível produzido a partir da decomposição dos resíduos destinados ao aterro sanitário) ou eletricidade.
2. Coleta mecanizada
Outro avanço foi a implantação, em outubro de 2025, da coleta mecanizada em bairros da Subprefeitura de Vila Mariana.
Agora, em vez de caminhões passarem porta a porta, a coleta é feita por caminhões de carga lateral que recolhem os resíduos depositados pelos moradores em contêineres azuis. Nesse novo sistema, os caminhões passam também três vezes por semana, em dias alternados, mas não é necessário saber o horário.
Isso porque os moradores podem levar os resíduos a qualquer momento até os equipamentos que estão instalados a, no máximo, 60 metros de distância das casas da área. Foram instalados quase mil contêineres azuis em vias dessa região.
Se você mora em uma das vias onde foi instalado um contêiner azul, pode levar o seu resíduo ao equipamento em qualquer dia e horário. Mas atenção, se a coleta porta a porta não é mais realizada em seu endereço, não coloque o saco de lixo na calçada. É importante que cada pessoa contribua para a limpeza da cidade.
3. Retrofit da Central de Triagem
Prestes a completar 12 anos de operação, a Central Mecanizada de Triagem (CMT) Carolina Maria de Jesus também será beneficiada pelo projeto de sustentabilidade e inovação da concessionária Ecourbis Ambiental para a cidade de São Paulo. O equipamento está passando, desde o início do mês, por um retrofit, ou seja, um projeto de modernização tecnológica da planta, que visa a otimizar o processamento diário de resíduos sólidos.
A nova planta vai resultar em melhorias na performance da Central, que tem capacidade para triar 250 toneladas diárias de materiais recicláveis. O projeto de modernização contempla a instalação de uma linha para separação de vidro.
A CMT já atua com um sistema avançado e automatizado de separação de materiais, que classificam os recicláveis por cor, tamanho, peso e tipo, com sensores óticos 2D e 3D, esteiras, separadores balísticos e o equipamento Trommel.
Além de possibilitar a recuperação do vidro, o retrofit prevê uma linha para o aproveitamento do rejeito como matéria-prima para a produção de Combustível Derivado de Resíduos (CDR).
4. Ampliação da coleta seletiva
A Coleta Seletiva já foi universalizada há dois anos na área sob responsabilidade da Ecourbis Ambiental, atingindo 100% das 19 subprefeituras atendidas pela concessionária nas zonas sul e leste.
Ou seja, equipes específicas para a coleta de materiais recicláveis passam por toda essa região. Para saber a data e horário em que acontece a coleta seletiva ou mesmo a coleta comum de resíduos em sua rua, basta acessar o site ecourbis.com.br. No site, procure a ferramenta “Horário de Coleta” e insira o CEP ou endereço para obter a informação atualizada.
Importante apontar que na região da Supbrefeitura de Vila Mariana, em alguns bairros, foram implementadas mudanças nos turnos (manhã ou noite) e frequência (dias da semana) e os dados atualizados estão no site (veja imagem abaixo).
Agora, com a modernização da CMT Carolina Maria de Jesus e com a implantação de novas tecnologias em Ecoparques a serem instalados na cidade, a expectativa é de que o volume destinado à reciclagem vai aumentar.
5. Tratamento Mecânico
Esse crescimento vai derivar não apenas de ações de conscientização para que a população fique mais engajada na separação do lixo em dois – recicláveis e comum – mas também por conta da separação que vai ocorrer na Unidade de Tratamento Mecânico Biológico (UTMB).
Atualmente, 50% de todo volume da coleta de resíduos domiciliares são compostos por matéria orgânica, que se transforma em biogás e chorume, enquanto se decompõe.
Com as inovações tecnológicas implantadas, parte do resíduo orgânico vai deixar de ser enterrada e será transformada em CDR, o Combustível Derivado de Resíduos.
A Ecourbis fará isso com a instalação de uma Unidade de Tratamento Mecânico Biológico. O equipamento permite a separação de materiais que são recicláveis, mas não têm possibilidade de aproveitamento pela indústria do setor porque estão muito sujos. O Tratamento também separa a fração orgânica com maior potencial calorífico e depois a utiliza para produzir CDR.
Com a entrada em operação da UTMB, a vida útil do aterro será ampliada, visto que um volume menor de resíduos será enterrado. Esse processo ainda supre a demanda de empresas que têm substituído o combustível fóssil pelo CDR, como a indústria de cimento.
A UTMB terá capacidade para tratar 550 mil toneladas por ano de resíduos.
6. Recuperação de Energia
Para vencer o desafio de reduzir o volume hoje encaminhado a aterros, com a separação dos recicláveis e tratamento adequado para retorno à cadeia de valor, a Ecourbis tem feito investimentos baseados em tecnologias já usadas em outros países onde o tratamento e destinação final de resíduos estão bem adiantados.
Representantes da concessionária e da Prefeitura foram conhecer métodos adotados por países como Itália, Espanha, Alemanha e China.
Será implantada uma Unidade de Recuperação Energética (URE), nos moldes das já existentes em países como Inglaterra, Finlândia, Dinamarca e Coreia do Sul. São países que se destacam pelas altas taxas de reciclagem, já que as URE’s não competem com a coleta seletiva, mas complementam o processo de gestão dos resíduos. Ou seja, os materiais recicláveis continuarão retornando para a cadeia de valor.
As UREs que serão implantadas na capital terão capacidade para processar, cada uma delas, 1 mil toneladas de resíduos por dia, o que resulta no fornecimento de 25% da demanda energética para a iluminação pública da cidade, por unidade. A intenção da Prefeitura é instalar quatro delas em São Paulo, o que corresponderá à energia suficiente para abastecer a iluminação pública municipal.
7. Ecoparques Sul e Leste
As tecnologias de Tratamento Mecânico Biológico e de Recuperação Energética farão parte de dois ecoparques a serem criados também ao longo dos próximos anos.
Para além de garantir tratamento exemplar dos resíduos, esses ecoparques serão equipamentos abertos à população e que garantirão um constante contato com a comunidade, garantindo transparência e desenvolvendo projetos de conscientização ambiental.
No Ecoparque Sul, haverá um Centro de Treinamento Ambiental Escolar, proporcionando formação das futuras gerações, e um Centro de Convivência. O espaço terá também um Parque Urbano, com mirante, ciclovia e um viveiro de mudas. No Ecoparque Leste, haverá igualmente estrutura para novas tecnologias de tratamento de resíduos ne Centro de Treinamento Ambiental Escolar. No local, já existe o Aterro Sanitário CTL – Central de Tratamento de Resíduos Leste, que atualmente já recebe sete mil toneladas de resíduos por dia.
Fonte: Jornal Zona Sul


